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Jul

Como tudo começou…

Uma viagem ao Quênia pode parecer assustadora em um primeiro momento por diversas razões que resumem a nossa falta de informação sobre o país e a região – não sabemos direito onde fica e quando a mídia fala sobre países africanos, somos sempre bombardeados com notícias ruins que nem sempre correspondem à realidade local.
Meu sonho de adolescente era realizar uma viagem de trabalho voluntário para algum país africano, juntando o desejo de conhecer o continente e a vontade de realizar uma experiência transformadora, capaz de abrir a minha cabeça. Tudo isso virou realidade nos meus 21 anos, quando ainda na faculdade consegui economizar dinheiro para investir nessa viagem.
Vários países surgiram como opção, Ruanda, Uganda, Tanzânia, Gana, Costa do Marfim; países com nomes super exóticos, mas totalmente desconhecidos por nós, brasileiros. Como na época existiam poucas instituições que ajudassem nessa busca, tive que caçar o meu destino na luta do boca a boca com outros estudantes e viajantes.
Até que me apareceu o tal do Quênia.
Ao escutar o nome deste país, me deu um clique na cabeça, “acho que encontrei o meu destino”, e isso graças a uma amiga inspiradora que estava lá realizando uma viagem muito parecida com a que eu desejava fazer.
Eu deveria ter sentido medo, angústia ou uma certa ansiedade de viajar para esse tal Quênia. No entanto, minha reação foi completamente diferente. A vontade de realizar meu sonho era maior do que qualquer anseio. O Quênia se tornou mágico no momento em que fiz meu primeiro skype com a Mariana, a amiga. Nossa ligação se iniciou com o sorriso enorme e lindo dela do outro lado da linha e diretamente de Nairóbi. O brilho nos olhos dela me conquistaram imediatamente e assim fechei minha viagem em menos de 2 meses (literalmente).
Compra passagem, fecha hospedagem, seguro saúde, vacina de febre amarela, um corre corre danado, até que consegui sentar na poltrona do avião ao lado de uma grande surpresa, outra estudante cheia de bons valores, que tinha o mesmo sonho que o meu e que viria a se tornar uma das minhas grandes amigas da vida – esse foi primeiro presente que o tal Quênia me deu.
Ela, também influenciada pela alegria da Mariana e pela chance de realizar uma experiência única.

O Quênia…

Pousamos em Nairóbi, finalmente. Ansiosas para todos os momentos que nos aguardavam por lá.
Durante o caminho até a nossa casa nos próximos 2 meses (que para mim viraram 3, já que estendi minha estadia por lá), tivemos várias impressões, todas sem julgamento e sim com o coração completamente aberto.
O Quênia é o coração da economia do leste africano, mesmo assim é um país com pouca infraestrutura e ainda em desenvolvimento. Nairóbi é uma grande capital, linda na minha opinião e cheia de experiências interessantes. Meus dias caminhando pelo centro eram marcados por mulheres extremamente bem vestidas, executivos caminhando de um lado ao outro, estudantes sempre carregando diversos livros e carros, muitos carros por tudo que é canto.
A sensação de estar no centro do meu sonho era simplesmente maravilhosa.
Uma experiência de voluntariado no Quênia

Minha experiência como voluntária…

Minha viagem significou para mim os 3 meses mais calmos que já vivi, de silêncio interno e amor que transbordava sorrisos e alegria. Quando digo isso, penso na contradição que possa soar, pois estamos falando de um ambiente completamente caótico, de pobreza extrema, trânsito e barulho. Quando entrei no avião, pensei nas duas possibilidades dessa viagem terminar: a primeira, com a sensação de que não foi nada do que imaginava e que retornaria querendo ‘casa’; a segunda, com o coração transbordando de felicidade por ter sido muito mais do que imaginava e que não pensaria em voltar para ‘casa’. Naquele momento tudo era possível. No entanto, foi a segunda opção que reinou, com o bônus de que no Quênia, eu estava em casa.
Uma experiência de voluntariado no Quênia
Há muito amor e entrega em querer viver uma experiência como essa. Todos os dias você se levanta para encarar uma realidade inimaginável, de caminhar por ruas de terra rumo à escola, às vezes com esgoto a céu aberto, de observar pessoas em condições extremamente vulneráveis e de lidar com sentimentos e emoções surpreendentes.Tudo isso faz com que você perceba que uma pessoa pode sim fazer a diferença, você não é mais um, você é aquele que resolveu transformar a sua realidade para ver além do que está acostumado, você é um agente transformador; e ao escolher esse caminho, você é capaz de influenciar muitas pessoas a fazerem o mesmo, criando um ciclo excepcionalmente poderoso de ajuda ao próximo… O mundo pode sim ser como sonhamos. Sentir e ter consciência disso foi mais um presente que o combo ‘ser voluntária’ e o ‘tal Quênia’ me deu.
Uma experiência de voluntariado no Quênia
Não posso deixar de mencionar aquelas pessoas. Sim, aquelas pessoas que você encontrará pelo caminho. Perco as palavras ao falar delas. São poucas que passarão despercebidas e muitas que você jamais esquecerá. São adultos, adolescentes e crianças, capazes de encher o seu dia de ensinamentos e amor – puro, simples e de graça. Simplesmente porque elas são assim. Mágicas – de alegria, de troca, de vida. São heróis e heroínas da vida e você terá o privilégio de aprender com elas – isso é para poucos!
Uma experiência de voluntariado no Quênia
Mais um grande presente que o Quênia me deu foram amizades, conexões, pessoas que tinham ambições e sonhos como os meus, pensavam semelhante e queriam se doar para viver algo completamente diferente com o coração aberto para tudo. O grupo que formamos ao chegar em Nairóbi são amigos que levarei para sempre nessa vida, amigos que compartilharam momentos inesquecíveis em lugares inesquecíveis, uma amizade baseada na simplicidade de ser quem se é, completamente fora da sua zona de conforto. Foram dois meses e meio de muitas emoções, discussões de trabalho, risadas, alegrias, choros e toda a avalanche de sentimentos que é ser um voluntário. Simplesmente maravilhoso.
Uma experiência de voluntariado no Quênia

Sendo também turista…

Fora o trabalhar duro que realizamos, tivemos nosso tempinho de turistas. Realizamos passeios ao Giraffe Centre e Elephant Orphanage, em Nairóbi, além de um safári incrível no Parque Nacional Amboseli – experiência maravilhosa na natureza. Acredito que ser também turista nos possibilitou uma recarga emocional e melhor compreensão sobre o Quênia e sua cultura.
Uma experiência de voluntariado no Quênia

A segurança…

Como qualquer lugar do mundo, o Quênia é mais um país onde turista nenhum deve desligar o botão da atenção. Aqui é preciso atenção básica em relação à segurança pessoal: não ande com bolsas abertas e se possível, coloque um cadeado na sua mochila se você caminhar muito em locais e com transportes públicos; não ande sozinho ou em ruas escuras; não deixe seus pertences soltos, embaixo da mesa ou na cadeira; não ande com super máquinas no pescoço e iphones expostos; ser discreto é sempre bem-vindo em qualquer lugar do mundo; siga as orientações dos nativos, eles são as melhores referências.

A religião…

A maioria do país é de religião Cristã e menos de 15% da população é Islâmica. Estes se concentram mais nas regiões litorâneas do Quênia, por onde os Árabes desceram até a África do Sul. Pode-se dizer que o país é conservador em certos aspectos, como por exemplo, casais não andam de mãos dadas ou demonstram afeto em locais públicos – uma vez ou outra você verá algo do tipo, mas muito raramente. As mulheres também não costumam se vestir com roupas muito curtas ou decotadas.
Vale lembrar que, a menos que alguém venha a pedir, não há necessidade de cobrir a cabeça com lenços, os nativos estão acostumados com turistas e não pressionam ninguém a ter as mesmas práticas, apenas a respeitá-las; nem mesmo na Ilha Lamu com 99% da população muçulmana, tivemos que cobrir a cabeça.
Respeito e boas maneiras são sempre bem-vindos, por isso evitávamos usar shorts curtos e blusas decotadas em locais públicos.

Tudo o que se houve sobre…

Você também deve ter escutado bastante sobre doenças, vírus ebola, malária etecetera e tal.
Primeiramente, o vírus ebola atacou apenas o oeste africano e partes da África Central, não chegou ao Quênia. Já a malária, é um problema real e presente no litoral do país e não em Nairóbi. Se o seu destino é apenas a capital e safáris nas reservas nacionais, não se preocupe em tomar medicamento para a malária; apenas fique atento caso sinta os sintomas da doença, como febre alta. Qualquer hospital do país é muito bem preparado para detectar e cuidar da doença. Por isso, não há necessidade de se preocupar mais do que o necessário, você pode se proteger com repelente e nesse caso é prudente seguir algumas recomendações.

Algumas recomendações….

Durante o seu trabalho voluntário, evite usar chinelos e sapatos abertos. Algumas áreas podem ter esgoto aberto, de preferência para botas fechadas e sapatos à prova d’água, eu comprei uma das botas da Decathlon e usei praticamente todos os dias de trabalho.
Use roupas confortáveis. Você precisa ter mobilidade para fazer as atividades com as crianças e na escola.
Faça uma mala simples, com roupas que, caso você queira, possa doar no final da viagem.
Leve repelente. Recomendo o Exposis Extreme que vende nas farmácias e lojas de escalada.
Carregue suas coisas com discrição em uma mochila e utilize um cadeado pequeno ao caminhar pelas ruas com a mochila nas costas.
Protetor solar, sempre.
Óculos escuros são sempre bem-vindos. Leve um que você seja desapegado caso perca.
Leve sempre uma garrafa de água mineral com você nos dias de trabalho, muitas vezes pode ser difícil encontrar um local de confiança para comprar água. Sempre cheque se a mesma está bem lacrada ao comprar.
A selfie faz parte da experiência, mas lembre que o seu trabalho é o real motivo de você estar lá.
Não desligue o botão da atenção, mas abra o seu coração para tudo o que a experiência trouxer.
E por fim, a grande recomendação: viva cada momento como se fosse o último. Se você souber fazer isso, não tenho dúvidas de que sua experiência será única e servirá para sempre como inspiração na sua jornada.
Uma experiência de voluntariado no Quênia
Nos vemos no Quênia!
Uma experiência de voluntariado no Quênia
Laura Veratti

Sobre a Laura

Nascida e criada em São Paulo, Laura é formada em Relações Internacionais pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e começou sua vida profissional na área social. Trabalhou na Comissão de Direitos Humanos da prefeitura de São Paulo, em ONGs e morou por 3 meses no Quênia, onde realizou um trabalho voluntário com crianças. Desde então, teve a oportunidade de conhecer o leste africano com os olhos de um local e também de turista. Duas de suas grandes paixões são viajar e participar de trabalhos sociais. Atualmente, esta cidadã do mundo, reside na Cidade do Cabo de onde compartilha suas descobertas e segredos desta cidade que decidiu chamar de lar. Acompanhe suas dicas seguindo seu instagram @capetownparabrasileiros e a página do Facebook: https://www.facebook.com/ctparabrasileiros

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Comentários

  • 16/04/2019

    Estou de partida para o Quènia…. faltam 4 dias…. entrei numa onda de perplexidade…. talvez ansia… e li muitos Blogs… ins como o seu… fantàstico… mas outros nem por isso… talvez por isso a minha perplexidade….

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