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May

Mais importante do que a viagem em si, são as pessoas que você encontra pelo caminho.

Depois de alguns dias na caótica Nairóbi, segui para a segunda parte da minha aventura no Quênia: os safáris.
À convite da empresa Game Watchers Safaris”, visitei 4 camps distintos: Porini Rhino, na reserva de OL PEJETA CONSERVANCY, em Nanyuki, aos pés do monte Kenya, Porini Mara e Porini Lion, ambos localizados na reserva Maisai Mara e Tented Camp, esse último já de volta à capital e situado dentro do Parque Nacional em Nairóbi.
Chegando no primeiro deles, Porini Rhino, me deparo com um camp aparentemente vazio.
Onde estariam todos os hospedes?
Evidente que estavam retornando de um “game Drive”, como são chamados os passeios de carro para avistar os animais selvagens, agendados para o período da manhã.
Por estar próximo da hora do almoço, em breve receberia companhia.
Apesar de possuir poucas tendas, 8 no total, havia apenas 2 hospedes no acampamento: eu e meu novo amigo, que estava prestes a conhecer, Victor! Colombiano de nascença e residente em Londres há muitos anos, devido ao sangue latino e algumas histórias engraçadas depois, tornamo-nos bons amigos.
Cada um por seus motivos viajávamos sozinhos. Victor já estava há mais tempo que eu e deixaria o Porini Rhino na manhã seguinte com destino ao Porini Mara, coincidentemente, meu próximo destino.
Maasai Mara Walking Drive
No final da tarde desse primeiro dia, fizemos um “game walk” ou um safári a pé mesmo. Evidente que estávamos acompanhados de um bom número de guerreiros Maasai e, mais ao longe, os dois carros que nos levariam para a continuação do passeio.
Pudemos apreciar uma demonstração de dança típica e conhecer mais curiosidades sobre esse povo nômade, que já habitava a região muito antes da chegada dos colonizadores ingleses.
Sem pressa de nada e até a hora do jantar, eu e Victor compartilhamos nossas histórias, nossos projetos, falamos de Pablo Escobar, claro (e ambos seriados exibidos no Netflix,) e como foi pra ele, crescer numa cidade como Cali em plena década de 80, o auge dos cartéis colombianos.
Na manhã seguinte nos despedimos com a sensação de um até breve! Bem breve!
Chegando no Porini Mara, de imediato perguntei por meu amigo Victor que, evidentemente, estava fora em um “game Drive”. Mais uma vez, estávamos apenas os 2 como hóspedes do camp. Perguntei ao gerente do local se poderia entrar em contato via rádio e perguntar se poderiam trazê-lo de volta para fazermos juntos o “game drive” da tarde/noite.
Em pouco tempo, lá estava meu amigo de novo! Que prazer revê-lo em tão curto tempo.
Pois bem, após um abraço caloroso e uma Tusker (cerveja local) para refrescar do calor que fazia, saímos para aquele que, em minha opinião, fora o “game drive” mais impressionante da viagem.
Em uma área restrita aos hospedes do camp, nossos guias Maasai nos levaram para uma região em que acreditavam ser mais fácil avistar alguns felinos. O que a gente não imaginava era o que realmente iriamos encontrar pela frente.
Imagine não um, nem dois, mas cinco guepardos (uma mãe e quatro jovens filhotes) devorando um impala! Por questões de minutos não chegamos a tempo de presenciar o momento da caçada. Brinquei com Victor que a culpa era dele e da cerveja que ele resolvera tomar no camp antes de sairmos! :-)
Ficamos em torno de 3 horas apenas apreciando aquele momento “National Geografic”.
Além dos guepardos, o cenário ainda era composto por alguns chacais, uma espécie de cachorro selvagem e um abutre, todos aguardando sua vez na cadeia alimentar. Na hora me lembrei das aulas de biologia na escola!
A chance de se presenciar uma cena destas é bastante rara. Para se ter uma ideia, as cenas vistas em documentários na TV demoram em torno de 3 a 4 meses para serem captadas. E nós ali,  menos de 20 metros, presenciando aquela cena da natureza.
Victor havia comentado que tinha dois desejos, ver uma cena igual a que estávamos presenciando bem ali na nossa frente e acompanhar de perto uma caçada. Na hora brinquei com ele: pula aí do carro que seu segundo desejo irá se realizar na hora! Hehehe!
Momento "National Geographic"
A relação entre os animais é realmente fantástica. Enquanto os guepardos se alimentavam, os chacais produziam sons a fim de atrair as hienas, que por sua vez espantariam os guepardos. A cena que transcorria a seguir era impressionante.
Enquanto três guepardos continuavam devorando a impala, os outros dois colocavam os chacais pra correr. Só não pegavam porque não queriam, afinal os guepardos são os animais mais rápidos da savana podendo atingir incríveis 120km/h!
Carne combina com cerveja. Apesar de não ser nenhum grande bebedor de cevada, enquanto assistíamos aquelas cenas, me rendi e apreciei uma autentica “Tusker”, a cerveja local, além de compartilhar mais e boas risadas com o meu,  agora, “grande amigo”, Victor.
Durante o jantar combinamos de compartilhar o “game drive” da manhã seguinte já que, próximo à hora do almoço ele partiria para a Tanzânia e eu seguiria para outro camp, o Porini Lion.
Deixamos tudo pronto e combinamos de encontrar o segundo carro, que traria nossas malas, no horário do café da manhã, servido em meio à savana em paisagens deslumbrantes. Aliás, todos os dias, podíamos desfrutar do mesmo privilégio.
Durante o game drive, Victor me mostrou algumas fotos que havia tirado e um vídeo impressionante feito por ele no almoço do dia anterior, logo antes da minha chegada.
No vídeo, Victor está sentado embaixo de uma arvore quando, a menos de 40 metros, passam 2 leões que olham pra ele, param e depois continuam sua caminhada como se nada estivesse acontecendo. E isso eu vi com meus próprios olhos, não foi contado. O mais curioso é que os guias não tinham visto os leões e quando se deram conta, eles já tinham se afastado.
Ao questionarem por quê ele não falou nada, Victor apenas explicou que todos, ele e os leões, estavam tão tranquilos, que em nenhum momento se sentiu ameaçado! Eu provavelmente, se tivesse asas, teria saído voando!
Já em clima de despedida, durante nosso último café da manhã juntos, antes de seguirmos caminhos distintos, aproveitamos para dar mais risadas, tirar algumas fotos e ficar admirando aquela linda paisagem de filme. Ao escrever este texto, é possível me transportar para lá e reviver tudo aquilo outra vez!
Chegada a hora de nos despedir, demos um abraço apertado com a certeza de que nos encontraremos novamente algum dia, de preferência, no Quênia. A promessa é que dessa vez estaríamos acompanhados de nossas famílias.
Já em carros separados ainda pudemos presenciar uma hiena, cercada de abutres, devorando o resto de carcaça do que deveria ser, provavelmente, um búfalo. Ainda tive a oportunidade de tirar uma ultima foto desse meu agora, querido e saudoso amigo, Victor.
Safári no Quênia - Hiena e Abutres
Gracias amigo por compartir aventuras tan especiales. Usted  estará siempre em mis recuerdos de Kenya.
Con afecto, Rico
Safári no Quênia - Meu amigo colombiano

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Comentários

  • 17/05/2017

    Encantada con tu relato y sorprendida porque Víctor es mi gran amigo soy colombiana, de Cali! Maravillosa experiencia Kenya exótica inolvidable creo que en la memoria de cualquiera pero con este relato tan real siento que lo Vivi a través de ustedes y esa es la manera de hacer vivir al lector! Gracia!!! Bienvenido a Colombia siempre un abrazo Natalia Cruz

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