12
Oct

Faz uma semana que voltei da África do Sul e durante esse tempo eu tenho refletido sobre tudo o que essa experiência me trouxe. Foram diferentes aprendizados que me fizeram pensar no meu modo de agir.

Quando decidi parar tudo o que eu estava fazendo para me dedicar ao voluntariado, eu achei que fosse ser sofrido porque eu teria que ver e enfrentar situações de extrema necessidade. Mas, não foi o que aconteceu. Tanto a Amazônia (projeto que fiz em julho deste ano) quanto a África do Sul me mostraram que ser voluntário não é sinônimo de sofrimento e sim de alegria.
África do Sul
O espírito voluntário que eu vivi me revelou outra forma de ver a vida e as suas adversidades. E hoje me sinto mais preparada para atuar como voluntária na minha comunidade, planejar e desenvolver projetos que tenham sempre como pano de fundo o amor e a compaixão.
Acredito que a África do Sul me presenteou com dois grandes ensinamentos. O primeiro diz respeito à felicidade. Explico: no projeto convivi com crianças carentes de carinho e de bens materiais. Lá eu vi criança chorar porque não enxergava a lousa e os olhos estavam ardendo de tanto forçar a vista, observei criança chegar na escola cheia de machucados e arranhões, abracei criança que tinha medo de andar sozinha e por isso, não saia da sala de aula, conversei com criança agressiva que batia em todos e xingava; enfim presenciei situações que me tiraram do eixo e me fizeram chorar. Faltavam, atenção, carinho e cuidado, além claro de dinheiro. Mas, nada é impossível, a criança que não enxergava ganhou óculos fruto de doação e ficou tão feliz que chorou. A criança machucada recebeu lápis e papel para conseguir externar tudo o que sentia, já que não falava. A que tinha medo agarrou na minha mão e andamos pela escola conversando bem devagar para ela se sentir segura. E a que era agressiva sorriu quando transformamos toda aquela energia e raiva em brincadeira.
Voluntariado África do Sul
Escrevi todos esses exemplos reais para dizer que às vezes confundimos a felicidade e não damos o devido valor à tudo o que temos ao redor. Eu nunca passei por essas necessidades, mas diferente de antes, hoje eu aprendi a agradecer e a lembrar sempre que a felicidade é simples, não se compra e nem se conquista, ela está dentro da gente e nos pequenos momentos do dia-a-dia.
O segundo ensinamento é sobre a tolerância. Eu li bastante sobre o sistema de segregação (Apartheid) que dominou a África do Sul e toda a luta, liderada principalmente pelo Mandela, pelo fim desse sistema. Tudo é tão recente que é difícil acreditar que a sociedade moderna aceitou essa atrocidade por tanto tempo. Cheguei lá com essa curiosidade e querendo entender como que eles se comportam atualmente.
África do Sul
É claro que o preconceito ainda existe, pois não é num piscar de olhos que se muda toda uma cultura e pensamento. Porém, o que me deixou feliz foi sentir que o caminho que eles estão traçando é bonito. Hoje, as pessoas conversam sobre esse assunto e é possível ver a vontade de mudar. E nas andanças que fiz pelo país vi negros, brancos, muçulmanos e homossexuais, todos convivendo bem e felizes. Isso me deixou esperançosa, uma vez que um país extremamente racista e preconceituoso conseguiu, em pouco tempo, mudar o cenário e trazer harmonia para as relações sociais. Ainda falta muito, mas eles estão caminhando e vão conseguir.

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